Anvisa e sua sandices

Como na maioria das agências regulamentadoras no Brasil, me parece que não esta bem definido qual o papel da Anvisa, ou que método eles deveriam utilizar para efetivamente regulamentar qualquer coisa.
Há algumas semanas foi proibida a venda de quatro suplementos da MHP, sendo dois deles o Isofast e o Alert 8-Hour. Sob quais alegações?
Segundo a publicação no D.O.U de 17 de Fevereiro a venda do Isofast foi proibida por ele conter BCAA na fórmula. Não, você não leu errado… a venda foi proibida devido ao aminoácido contido na formula. Mas vejam, praticamente TODOS os suplementos alimentares para atletas possuem BCAA, sob essa alegação eles deveriam proibir a venda de tudo que contenha BCAA, não só um produto de uma única marca.
Quanto ao Alert 8-Hour a mesma publicação afirma que o produto não é seguro pois contém Taurina em sua composição! Hahaha… esse é realmente engraçado, porque se a Taurina é prejudicial deveriam proibir também a venda de TODAS as bebidas energéticas disponíveis no mercado… do famozinho RedBull ao duvidoso RedHorse, pois todos são a base de Taurina.
As bebidas energéticas possuem o agravante por serem utilizadas em conjunto com bebidas alcóolicas por muitas pessoas, e não esta definido clinicamente se é seguro misturar taurina com destilados.

Não vou comentar sobre o Carnivor-MHP pois não tenho conhecimento suficiente sobre tolerâncias das dosagens diárias de vitaminas, nem sobre o Probolic-SR pois não tive acesso ao rótulo em inglês e a tradução para português do lote fiscalizado.

Esta semana, outra portaria da Anvisa proibiu a venda de 20 lotes de Whey Protein… inicialmente porque recebeu denuncia de diversos consumidores que “engordaram” ao ingerir o produto.

Três produtos tiveram uma grande variação na quantidade de carboidratos: Whey NO2 Pro da Pro Corps, que possuía 17g de carboidratos por porção (1.104% a mais do que o valor divulgado no rótulo), Fisio Whey Concentrado NO2, que possuía 9g de carboidrato por porção (869% a mais do que o valor informado pelo fabricante) e o 100% Ultra Whey da Ultratech Supplements, que possuía 25g de carboidratos na porção (750% a mais do que o valor escrito na rotulagem).

Em outras marcas afetadas pela portaria constatou-se também que a quantidade de proteína contida nos produtos estava abaixo da tolerância em relação ao especificado na embalagem. Qual a tolerância segundo a própria Anvisa? Pasmém, 20%!

Significa que se o fabricante diz que o Whey tem 35g de proteína (considerando uma marca top), a fórmula pode vir com 28g que para a Anvisa está tudo certo. No caso das marcas mais populares, que tem em média 25g de proteína, a formula pode conter 20g e o produto estará liberado para comercialização.

Uma pergunta:
A minha necessidade diária de proteínas, carboidratos, vitaminas é igual a de qualquer outro atleta?
Segundo a Anvisa sim!
Porque pela regulamentação o fabricante é obrigado a especificar a sugestão de uso nas embalagens dos suplementos alimentares, quando o certo seria cada atleta consultar seu nutricionista, fazer exames clínicos, e a partir dos resultados chegar à sua necessidade individual.

Por causa desse tipo de “regulamentação” é que pessoas desinformadas entram em lojas de suplemento, compram potes disso e daquilo, seguem a sugestão de ingestão da embalagem e chegam a dois resultados: ou não tem ganho nenhum só gastando dinheiro, ou tem algum efeito colateral por ingerir o que não deveria (ou em quantidade errada).

Vou continuar tomando meu Whey, meu BCAA, e meu Carboidrato… se a Anvisa proibir a venda aqui não tem problema, pois eu compro tudo importado nos EUA. Confio mais na minha nutricionista e no meu cardiologista  do que nos boçais dessa pseudo-agência que se diz regulamentadora.

Author: Cleber Pereira

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