O tal do VO2Max

Um dos parâmetros utilizados por técnicos e assessorias para elaboração das planilhas individualizadas são os Limiares Metabólicos. Para determinar estes limiares e o VO2Max de um individuo o método utilizado é o Teste Espiroergomético.
Trata-se de um exame clinico onde o atleta é submetido a um teste de esforço em esteira, e são monitorados em conjunto a frequência cardíaca, a capacidade pulmonar, pressão arterial, entre outros parâmetros, sempre sob supervisão de um cardiologista.

Depois de aferidos, estes limiares podem ser representados graficamente, conforme exemplo abaixo:

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Como podem observar, entre as faixas de frequência/intensidade existem três limiares principais (LA, RCP e VO2Max), abaixo segue uma explicação detalhada dos processos químicos que ocorrem ao atingir cada um deles.

Limiar Anaeróbico (LA)
É o índice que representa o momento em que se instala um desequilíbrio entre a produção de hidrogênio (proveniente de nutrientes) e a oferta de oxigênio (proveniente da respiração) no metabolismo celular durante o exercício.
A concentração de hidrogênio livre [H+] determina o grau de acidez [pH] do músculo em atividade. Um bom transporte de oxigênio pela circulação sanguínea garante o equilíbrio do pH interno da célula, mesmo com o metabolismo acelerado (durante o exercício).
A disponibilidade de oxigênio para um músculo em exercício favorece o processo aeróbico de produção de energia, formando água [H²O] como produto final, sem alterar o delicado equilíbrio ácido/base da célula. A formação de Ácido Láctico é uma estratégia bioquímica para remover o hidrogênio excedente no interior da célula. Cada molécula de Ácido Láctico formada neutraliza 2 moléculas de Hidrogênio que não encontraram Oxigênio disponível para formar H2O.
Desta forma, remove-se o excesso de Hidrogênio para a corrente sanguínea, evitando a fadiga do grupo muscular em exercício. Este ponto marca o início do acúmulo sustentado de Lactato no sangue, estabelecendo a fronteira entre o exercício moderado e o exercício intenso estável.

Período de Tamponamento Isocápnico
É a faixa de intensidade de exercício onde há aumento da ventilação pulmonar e um aumento proporcional da produção de CO2, indicando equilíbrio metabólico. Nesta faixa de intensidade, o lactato sanguíneo e o consumo de Oxigênio, apesar de aumentados, poderão de estabilizar, permitindo a continuidade do exercício por um tempo mais prolongado. Geralmente, este intervalo está entre o LA e o Ponto de Compensação Respiratória.

Ponto de Compensação Respiratória (RCP)
É o ponto onde a respiração se torna um importante mecanismo de compensação ou correção da acidose metabólica, pois o mecanismo de tamponamento pelo lactato já não consegue impedir uma queda do pH intracelular (músculo).
O exercício torna-se desconfortável e o aumento da remoção de CO2 do organismo passa a ser o último recurso fisiológico para equilibrar o pH do sangue. Isto só é possível através da hiperventilação (respiração ofegante). Este ponto estabelece a fronteira entre o exercício intenso estável e o pré-exaustivo.

Enfim, o famoso VO2Máx
É a tradução da capacidade aeróbia do corredor, ou de modo simples, a maior quantidade de oxigênio que o organismo pode captar, transportar e utilizar para a produção da energia para a realização do exercício. Dessa forma, o termo resistência aeróbia ou resistência de base indica o nível de aptidão física e atlética dos corredores em relação a sua capacidade aeróbia.

Melhorando o VO2Máx
Pesquisadores apontam que para atletas mais experientes, os treinos intervalados em intensidades próximas ao VO2Máx são os mais indicados para melhorar esse índice, ou seja, acima de 85%. Com isso, o VO2Máx costuma aumentar em média 5%. Já o limiar anaeróbico pode alcançar melhoras de até 30%.
Atletas que tem foco em treinamentos de longas distâncias devem tomar cuidado na relação entre a intensidade e o volume dos treinamentos. O tempo e a qualidade da recuperação são primordiais para obter melhorias no VO2Máx.

Já para corredores iniciantes, as dicas abaixo se seguidas também podem trazer grande evolução de desempenho:

– São indicadas intensidades entre 60% e 80% do VO2Máx, com volume moderado de treinamento;
– Os treinamentos intervalados são muito eficientes se realizados com pausas ativas, e não devem ultrapassar os 80% do máximo;
– Os treinos contínuos são excelentes, pois, além de ter uma grande resposta adaptativa, trará experiência de quilômetros rodados.

Um abraço e bons treinos.

Author: Cleber Pereira

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